A leitura de O Barão nas Árvores, de Ítalo Calvino, no primeiro trimestre, nos fez pensar no gesto de Cosme Chuvasco, que decide pular os muros que sua família construíra em torno de si para conhecer sua vizinhança, fazer novos amigos e viver aventuras. No sentido de trazer esse gesto da ficção para o nosso cotidiano, lemos umas série de textos, literários e jornalísticos, a respeito dos diferentes muros sociais que nos circundam e que, por vezes, não percebemos. Dentre estes textos estava o Poeminho do Contra, de Mario Quintana. Durante o trabalho com os versos de Quintana, os alunos Lourenço e Antônio Janequine, da turma da manhã, criaram um intertexto muito interessante com o rap e o seu conteúdo de denúncia e superação de obstáculos. É desta contribuição que surge o exercício de escrita em exposição. Leia o relato da F8M sobre esse processo de leitura e criação:

“Quando estávamos analisando o poema de Mario Quintana Poeminho do Contra, dois alunos lembraram do rap MOB79 – Atleta do Ano (Remix) Part. Djonga, Don Cesão, BK e Febem [Prod. Torres] que fazia referência ao tal poema nos versos:

‘Jogador caro, eu sou o futuro
Eles ainda são gandula no pretérito
Tô dando papo de visão, como você se sente vendo um preto em ascensão?
Uns X9 conversarão, nós segue passarinho já que eles não passarão.’

Assim, durante a discussão sobre o rap, estilo musical que tem muita relação com a língua, um dos alunos citou a música Desafio de Rima – ABCdário – Fabio Brazza (prod BigWiz). Então, adotamos essa ideia e aceitamos o desafio.”

Acompanhe o resultado.