Urgente! Cuidar da Terra é cuidar da gente

O que é meio ambiente? Por que o meio ambiente é essencial à vida? Quais são as causas dos problemas ambientais? Quais são as consequências da destruição do meio ambiente? É possível reverter e recuperar os danos já causados? Quem se responsabiliza por eles e por trazer soluções? Como as próximas gerações viverão? Qual será o futuro do nosso planeta? É possível viver em sintonia com o meio ambiente? É possível haver justiça ecológica que combine com justiça social?

A partir dessas perguntas levantadas por nossas crianças e jovens estudantes, propomo-nos a abraçar as questões ambientais como tema do Projeto Institucional para pensar e agir sobre as nossas práticas e a criar estratégias individuais e coletivas de conscientização e transformação.

“Cuidar da Terra é cuidar da gente” significa reconhecer o ser humano como parte integrante da natureza, numa relação de interdependência com tudo que é vivo. Para Leonardo Boff, vivemos uma crise civilizatória. “Para sair desta crise, precisamos de uma nova ética. Ela deve nascer de algo essencial no ser humano. É próprio do ser humano colocar cuidado em tudo o que faz. Se não colocar cuidado, as coisas se desmantelam e desaparecem. Tudo que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver: uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra. A ótica do cuidado funda uma nova ética, compreensível a todos e capaz de inspirar valores e atitudes fundamentais para a fase planetária da humanidade.”

O comportamento predatório das grandes corporações e Estados vem comprometendo a preservação, a conservação e o consumo dos recursos naturais. Os modelos de industrialização e de crescimento econômico precisam ser repensados. A ocupação desordenada dos espaços urbano e rural, a exploração não sustentável dos biomas naturais, a distribuição desigual das terras e das riquezas, a fome e a miséria, o acesso restrito ao saneamento básico, à saúde e à educação, os problemas monumentais, como as mudanças climáticas, a poluição do ar, dos rios e oceanos, a extinção das espécies são impactos da ação humana que não serão solucionados, como sabemos, apenas por ações individuais. Acreditamos que uma visão macro e integradora e um conjunto de interesses e ações políticas são imprescindíveis para lidar com essa crise civilizatória.

Observamos que os ambientes naturais são, em sua essência, espaços educadores. É fácil constatar que as crianças de cidades grandes estão cada vez mais desconectadas dos espaços verdes. Segundo Richard Louv, elas sofrem um “déficit de natureza”, termo que criou para alertar sobre esse afastamento. Com esse projeto pretendemos ajudar as crianças e os jovens a se reconectarem com a natureza e com eles mesmos, estabelecendo uma nova relação de pertencimento e convívio, promovendo não apenas a contemplação, mas a experimentação corporal e sensorial dos elementos naturais, aguçando a curiosidade de forma lúdica e prazerosa.

Gostaríamos de favorecer a construção de uma nova ética que defenda o aproveitamento sustentável dos ecossistemas, respeitando seus ciclos e capacidades, tendo como referência a relação que os povos originários mantêm com a natureza como essência de vida.

Repensar o papel da tecnologia nas soluções sustentáveis; trazer, num viés propositivo, iniciativas de sucesso e abordagens construtivas do que se pode fazer nos âmbitos individual e coletivo, público e privado. Exercitar ações contra o desperdício, buscando reduzir o consumo, procurando reciclar e reutilizar os diferentes recursos e materiais. Apresentar a agroecologia, a agricultura orgânica, a alimentação saudável, a bioenergia e as demais energias alternativas, o tratamento de resíduos, entre outras formas de (des)envolvimento como possíveis ações transformadoras na busca do bem-estar e da saúde de todos. Conscientizar sobre a importância da atitude cidadã na luta pelos direitos humanos e da natureza.

Eduardo Gudynas, em Direitos da Natureza, propõe que os direitos dos seres vivos sejam localizados em um mesmo nível que os direitos humanos: “a aprovação dos direitos humanos e das outras espécies é uma responsabilidade mundial que transcende todas as fronteiras geográficas, culturais e ideológicas”.

Essa argumentação valoriza todas as espécies e os ecossistemas, reposicionando os seres humanos na teia da vida. Leva-nos a refletir sobre o conceito de antropoceno, época na qual a humanidade modificou o planeta Terra de forma tão intensa, substituindo a natureza como a força ambiental dominante na Terra.

Agora, a natureza chama. Vamos juntos responder?